quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Baleado em tiroteio no bairro da Macaxeira

Um portador de deficiência mental foi atingido por uma bala perdida na noite da última segunda-feira, na rua Bento de Abreu, no Córrego do Jenipapo, bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife. De acordo com testemunhas, Paulo Roberto de Luna, 38, estava sentado na calçada conversando com amigos quando começou o tiroteio. Ele foi levado para o Hospital Agamenon Magalhães e permanecia internado até o fechamento desta edição. No momento da confusão, várias crianças também estavam na linha de fogo, mas nenhuma delas ficou ferida pelos tiros. No entanto, uma adolescente teria escorregado na escadaria e deslocado o braço. 

A mãe de Paulo Roberto, Ana Maria de Luna, 75, disse que mora naquele local há 61 anos e nunca passou por uma situação dessa. “Gosto de todos os vizinhos. Nunca passou pela minha cabeça sair daqui, mas confesso que estou assustada com o que aconteceu com meu filho. Nunca tive um parente atingido por essa violência que está em todos os lugares”, lamentou a dona de casa. Apesar do transtorno, Ana Maria não pensa em se mudar do Córrego do Jenipapo. “Vamos continuar nessa casa. Isso foi um acidente, o tiro não era para Paulo”, analisou. 

Paulo Roberto foi ajudado por vizinhos. Preocupada, a mãe dele preferiu nem olhar o ferimento. “Quando escutei o barulho, senti que meu filho tinha sido atingido. Fiquei muito nervosa e não quis ver o ferimento. Um amigo nosso, que gosta muito dele (Paulo), o levou de carro para o hospital. Ele é um menino muito bom, respeita a todos. Fiquei ainda mais sentida porque ele é especial e não entendeu bem o que aconteceu”, explicou Ana Maria de Luna. A assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (SES) não informou o estado de saúde do paciente.

Na manhã de ontem, os moradores da rua Bento de Abreu ainda estavam assustados com o ocorrido. Poucas pessoas aceitaram falar com as equipes de reportagem que estiveram no local. Um delas, que pediu para não ser identificada, disse que o tiroteio teria sido promovido por grupos de traficantes que lutam pela hegemonia naquela comunidade. Apesar da dica da população, a polícia ainda não conseguiu deter os autores dos disparos, que ainda não foram nem identificados.

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