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O Brasil concentra 1/3 das florestas tropicais do mundo, mas apenas 1,9% é protegido por unidades de conservação integrais (que não permitem o uso dos recursos naturais). Essa porcentagem está bem abaixo da média mundial, que é de 6%.
Além de poucas, as unidades de conservação estão mal distribuídas no país. Essa conclusão é resultado de um estudo realizado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O trabalho mostra algumas surpresas desagradáveis. Uma delas é o fato de a Mata Atlântica, apesar de ter número expressivo de unidades de conservação, esta com apenas 0,69% de sua área protegida.
Dia 23 de maio é o Dia Nacional de Defesa das Florestas Brasileiras, uma oportunidade de fazer algo para ajudar a proteger e conservar os nossos principais biomas.
A situação - De uma forma geral, a situação das florestas brasileiras é preocupante. “Em função da dimensão continental do país, podemos considerar várias realidades, que se distinguem basicamente pelo status de conservação do ambiente e pela evolução histórica da relação estabelecida entre esse bioma e a sociedade do seu entorno. Vamos encontrar situações onde a floresta original já está reduzida em mais de 90%, como por exemplo, a Mata Atlântica, que apresenta uma história de relação predatória com as populações humanas desde a exploração do Pau-Brasil até os dias de hoje, com problemas ambientais mais complexos de serem solucionados, como a ocupação de suas áreas para fixação humana”, explica o Coordenador de Gestão Ambiental da Universidade Estácio de Sá, Fernando Gurgel do Amaral.
Existem floretas com taxas de cobertura florestal ainda consideradas satisfatórias, mas nem por isso sob menor pressão antrópica, caso do Cerrado, que está ameaçado pela expansão da fronteira agrícola. Contudo, ainda é possível observar grandes áreas contínuas de cobertura vegetal original, principalmente na floresta amazônica, onde a baixa densidade populacional pode ser apontada como fator preponderante para o atual status.
Mesmo esse bioma, tão representativo da nossa condição de país com maior biodiversidade do mundo, está ameaçado por variadas razões, como a ocupação desordenada do solo, desmatamento para exploração da madeira, reservas minerais e, principalmente, pelo grande desconhecimento de seus potenciais serviços que poderiam ser explorados de maneira sustentável. “Diante desse cenário, o que torna a situação preocupante, é a ineficiência, a morosidade e a falta de compromisso por parte dos gestores públicos e da sociedade em geral para transformar esse quadro atual”, opina Fernando.
Recuperar ou preservar? – “A recuperação de áreas degradadas é sempre um processo muito demorado, caro e sem garantia de sucesso total”, afirma o professor. Contudo, são ações importantes de serem realizadas e mantidas, principalmente por que dão oportunidade de devolução, mesmo que parcial, dos serviços naturais prestados.
“O esforço para manutenção dos remanescentes de florestas, pode ser considerado como estratégia prioritária nesse contexto, pois possibilita a manutenção do "capital natural" ofertado pelo ambiente e tende a ser um processo mais barato e com resultados mais eficazes. É importante ressaltar que, independentemente da prioridade ser restaurar ou conservar as florestas, a continuidade das ações é fator preponderante para o sucesso de uma ou outra estratégia”, afirma Fernando.
A floresta e o ser humano - O que muita gente não sabe, ou não acredita, é que a destruição das florestas afeta diretamente a vida e o cotidiano do ser humano, “as florestas e as demais áreas naturais são grandes prestadoras de serviços para a população humana, a partir do que hoje se chama de "capital natural". Ou seja, regulam a composição química do ar, influenciam em processos climáticos, armazenam e retêm água, controlam a erosão e a retenção de sedimentos, detêm recursos genéticos e muitos outros serviços naturais indispensáveis para a melhoria da qualidade de vida humana. Com a diminuição da disponibilidade desse "capital natural", a sociedade tende a perder todos esses benefícios e avançar para condições de escassez de alimentos, água, medicamentos, insumos industriais e outros recursos indispensáveis”,

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