sexta-feira, 24 de junho de 2011

COLUNA POLITICA



        O fato é sagrado, a versão livre
A nota que a direção do PTB distribuiu com a Imprensa reafirma os seus compromissos com os princípios doutrinários, a sua forma de encarar questões comuns à aliança a qual pertence, mas deixa claro que o senador Armando Monteiro Neto não quer – e não pode porque ainda é muito cedo – distanciamento do governador Eduardo Campos.
Em suma, o que o líder trabalhista quis dizer foi que o partido se posicionou contra a emenda da reeleição por tempo indeterminado na Assembleia por entender que a alternância do poder é saudável e salutar, nada contra uma orientação do governador ou por divergências com o presidente da Casa, Guilherme Uchôa.
Lá atrás, Armando já havia externado essa posição do partido ao governador e ao próprio Uchôa. Mas, a leitura e o tratamento da mídia dispensado ao episódio foram de choque, de enfrentamento ao status quo. Pompeu de Souza, ícone do jornalismo brasileiro, dizia que o fato é sagrado, mas a versão livre.
Armando, portanto, mesmo depois de uma nota tão clara, incisiva e explicativa, ainda terá que se reportar muito ao fato, porque entre o que ele quis de fato e as interpretações que ficaram se cristalizou uma distância enorme. Até porque, submetido a uma cirurgia dentária, ele não deu entrevistas.
Acrescenta-se a tudo isso o fogo amigo. Tem muita gente interessada em azedar a relação do senador com o governador, a começar por lideranças de oposição que desejam virar governo de fato.
RESTRIÇÕES– O deputado Wolney Queiroz explica que não pode ser mais flexível com os amigos no jantar que ofereceu à presidente Dilma, porque o cerimonial do Planalto impôs um limite de 60 pessoas convidadas. Só o governador indicou 50, restando apenas 10 convites para o próprio anfitrião. Durante o regabofe, segundo ele, não se falou de trabalho nem de política. “O encontro foi de lazer. Por isso, tentamos distrair o máximo a nossa ilustre convidada”, disse.
Largou a meditação - A presidente Dilma abandonou a prática diária, saudável e rotineira da meditação transcendental. Daí a razão, segundo o deputado João Paulo, de andar nos últimos dias bastante estressada. “Ou ela adota um estilo zen ou dificilmente conseguirá superar com mais facilidade as tensões do dia-a-dia”, advertiu.
O contador de causos - Bom de prosa e irrepreensível contador de causos, o ministro José Múcio Monteiro, do Tribunal de Contas da União, divertiu bastante a presidente Dilma durante o jantar na casa do deputado Wolney Queiroz. Múcio é também bom cantor de boleros e dor-de-cotovelo, além de um verdadeiro pé-de-valsa, mas a presidente estava apressada e não quis ensaiar uns passinhos de forró.
Roubou a cena - Depois de Dilma, o integrante da sua comitiva mais paparicado em Caruaru foi o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. É o mais forte e influente interlocutor da presidente. Sabe a razão? Tem dois ministérios. A mulher Gleisi Hoffmann ocupa a poderosa pasta da Casa Civil. Pela primeira vez, a República tem um casal de ministros.
Sem punição - Os deputados trabalhistas que desobedeceram à orientação do partido na votação da PEC da reeleição não serão punidos, segundo o secretário-geral do PTB, deputado José Humberto. Em sua opinião, o episódio deixou feridas, mas passíveis de cicatrização com o tempo. “A nota, assinada por Armando, encerra tudo”, observa.

CURTAS
LICENÇA– O prefeito do Cabo, Lula Cabral (PTB), requereu licença por um período de 15 dias e passou o cargo para o vice-prefeito José Ivaldo Gomes, o Vado da Farmácia. Na volta, Cabral começa a se debruçar no processo da sua sucessão.

AUSÊNCIAS– Os dois senadores aliados de Dilma não foram recepcioná-la em Caruaru. Armando Monteiro, do PTB, por estar se recuperando de uma pequena cirurgia na arcada dentária. Humberto Costa, do PT, está em viagem ao Exterior.
REELEIÇÃO– A proposta de manter a reeleição em todos os níveis, de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), aprovada na Comissão de Justiça no Senado, contraria o PSB, do governador Eduardo Campos, que quer acabar o instrumento da reeleição.

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